escrevo todos os dias.
escrevo, e não paro de escrever.
escrevo, para quem me quer, e escrevo para quem não me quer, para quem gosta e para quem não gosta.
escrevo, escrevo apenas.
escrevo, uma, duas, três, quatro cartas.
escrevo, mas... guardo-as para mim como se fossem pequenos tesouros onde me agarro.
escrevo, escrevi e vou escrever todos os dias que aqui estiver.
escrevo, esteja debaixo de chuva ou neve ou sob um sol abrasador.
escrevo, nem que não tenha folhas para escrever, mas escrevo. registo-o mais tarde.
escrevo, maior parte das vezes sem sentido.
escrevo, mesmo que o faça apenas para matar o tempo, que para já se mostra escasso.
escrevo, e tenho a nítida sensação que não sei escrever, porque simplesmente nada sei.
escrevo, escrevo-te, escrevo-me, escrevo-lhe, escrevo-lhes, mas, sobretudo, escrevo-te a ti...
escrevo, e coloco-as todas meticulosamente dentro de uma caixa que por aqui encontrei.
escrevo, e no final direi: escrevi e vou levá-las comigo.
escrevo, e entrego-as a quem as quiser ler.
escrevo, somente isso, porque nada mais posso fazer do que me expressar desta maneira extraordinária.
escrevo... escrevo... escrevo...
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escreve-me... e eu escrevo-te!
ResponderEliminar«Todas as cartas de amor são
ResponderEliminarRidículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935»
quantas vezes pensas nas coisas que queres escrever? e quantas vezes perdes aquilo que queres dizer com as palavras que queres dizer? Quantas vezes tens o que dizer mas não tens palavras para o dizer? Quantas vezes precisas de pistas para voltar a saber aquilo que querias dizer mas ainda assim já não sabes dizer o que ias dizer? Quantas vezes se perdem vírgulas e tantas outras pontuações? demasiados pontos finais... Quantas vezes pensas em escrever e queres com tanta força escrever e nada sai para escrever? quantas vezes sabes exactamente aquilo que queres dizer, as palavras que queres meter, e quantas vezes não tens como o fazer. Perdem-se as palavras. Ficam os pontos finais. Quanto fica por dizer? Não sei, mas ficou demasiadas vezes. Quanta vezes pontuas a tua pontuação? "..." Quantas vezes não entendes o que escreves depois de tanto escrever? Quantas vezes consegues escrever o que escreveste antes da mesma maneira que escreveste antes? "26 Fevereiro 2008".
ResponderEliminarQuantas vezes perdes o sentido das tuas próprias palavras depois de teres já perdido o sentido de ti próprio?:"while the crowd is waiting for the final kiss the one which allows them to sleep well we walk along the wrong path the one which leed us to our own blessed we need hints before we get tired but we need hints before we get tired now we need hints before we loose pace now we need a hint to know we're on the right track we need hints before we get tired but we need hints before we get tired now we need speed before we loose pace now we need a hint to know we're on the right track."
Were we on the right track? Are we?...
it is a tricky track this track of mine… our…
keep on writing.