sexta-feira, 27 de março de 2009

ao quinto traço

e agora tudo toma proporções abismais!
as vivências no abismo cultural em que nos inserimos desaguam em situações espontâneas que, simplesmente, têm tendência a olhar em direcção ao que de menos belo se pode encontrar por aí...
a semelhança de qualquer estado imaginário, será apenas uma inconstante certeza daquilo que, ao olharmos, experienciamos sem ter contacto vívido e caloroso com a população que de rude tem, não pouco, mas uma grandiosidade incomensurável.
tentemos outra adaptação?!
sentimo-nos apenas preparados para a mais pequena readaptação ao desconhecido, uma vez que nada sabemos do que acontece e do que nos espera no buraco territorial, e vêmo-lo tão profundamente lá ao longe onde a linha do horizonte desapareceu há muito.
pouco do que havia para crescer aqui se desfez e refez e voltou a desfazer e a desaparecer com o suor e o cheiro que descrevem este pequeno mundo desaparecido dos mapas mentais de todos com quem coabitamos...
mais não revelo do que as suposições dos senhores que vão rolando por aí, em passo desamparado, e que anseiam pela nosso regresso.
crescer, é o que cada um tenta fazer de uma estupada só...
mas o crescimento, esse, está longínquo e perdido no espaço desta realidade adormecida.
os cânticos das aves que nos rodeiam à passagem, não passam de morte e desafogo de mágoas que o caos trouxe às ruas onde me movimento. levantam vôo e de longe já sentem o cheiro da putrefacção da natureza ténue que tentam agarrar para sobreviver.
corvos, ou, corvolândia diria... apenas isso

1 comentário:

  1. O bom do abstracto, ainda que «literário» é dar asas à imaginação de quem lê...Ainda que não saiba a qual realidade te referes, lançando mão da prerrogativa da «livre interpretação», digo-te que o "abismo cultural" não é um 'facto', mas antes uma 'escolha'. Quem nele escolhe "inserir-se" opta por, através do preconceito, olhar sem ver. E quando olha e não vê, não tem como saber o que de facto 'é'. É então que se deixa guiar por presunções e suposições e pauta toda a sua conduta pelo desprezo pelo 'outro', que, aos seus olhos, não tem qualquer semelhança consigo. A alegada diferença - no sentido pejorativo que lhe atribui - dita então que com desdém ignore, no seu todo, a realidade e não apenas o que o rodeia.
    Ainda que o desconhecido seja um 'medo atávico', não deixa de ser incompreensível a sua dramatização, não do medo, mas do desconhecido, da 'realidade' que somos forçados a enfrentar. Ainda que dura 'é' e isso basta!
    A escolha não está, a meu ver, em adaptarmo-nos à realidade - essa é só uma - mas antes a um aspecto, a um pormenor, a uma parcela que pertence ao todo, mas relativamente à qual escolhem, as mais das vezes, ignorar. Quanto à 'inexistência' de tal pormenor no "mapa mental" daqueles com quem "coabitamos" é de lamentar a sua ignorância, porém não é comum a todos eles...antes a todos os que escolhem não ver e, se não vêem não podem conhecer, se não conhecem não podem crescer...e se não crescem não podem viver, não de uma forma 'real'.
    Há então que demonstrar não só que o 'diferente' não é assim tão desigual, mas mais importante ainda, que o 'diferente' não é 'terror'. A reacção ao desconhecido não deve ser de aniquilá-lo, mas antes de compreendê-lo...
    As mágoas, trazidas pelo caos ou não, são, as mais das vezes, trazidas pela consequência do medo e da discriminação daquilo que 'não é igual'.
    O acordo entre os fragmentos que compõem a realidade não é um drama, mas antes uma incumbência afecta a todo o ser humano...que se deverá conquistar em qualquer campo e em qualquer frente, independentemente do território...

    ResponderEliminar